Historia do Carnaval
Festa popular, o carnaval
ocorre em regiões católicas, mas sua origem é obscura. No Brasil, o primeiro
carnaval surgiu em 1641, promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e
Benevides em homenagem ao rei Dom João IV, restaurador do trono de Portugal.
Hoje é uma das manifestações mais populares do país e festejado em todo o
território nacional.
Conceito
e origem. O carnaval é um conjunto de
festividades populares que ocorrem em diversos países e regiões católicas nos
dias que antecedem o início da Quaresma, principalmente do domingo da Quinquagésima à chamada terça-feira gorda. Embora centrado no disfarce, na
música, na dança e em gestos, a folia apresenta características distintas nas
cidades em que se popularizou.
O
termo carnaval é de origem incerta, embora seja encontrado já no latim
medieval, como carnem levare ou carnelevarium, palavra dos séculos XI e XII,
que significava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, a hora em que
começava a abstinência da carne durante os quarenta dias nos quais, no passado,
os católicos eram proibidos pela igreja de comer carne.
A
própria origem do carnaval é obscura. É possível que suas raízes se encontrem
num festival religioso primitivo, pagão, que homenageava o início do Ano Novo e
o ressurgimento da natureza, mas há quem diga que suas primeiras manifestações
ocorreram na Roma dos césares, ligadas às famosas saturnálias, de caráter
orgíaco. Contudo, o rei Momo é uma das formas de Dionísio — o deus Baco,
patrono do vinho e do seu cultivo, e isto faz recuar a origem do carnaval para
a Grécia arcaica, para os festejos que honravam a colheita. Sempre uma forma de
comemorar, com muita alegria e desenvoltura, os atos de alimentar-se e beber,
elementos indispensáveis à vida.
Período de duração. Os
dias exatos do início e fim da estação carnavalesca variam de acordo com as
tradições nacionais e locais, e têm-se alterado no tempo. Assim, em Munique e
na Baviera (Alemanha), ela começa na festa da Epifania, 6 de janeiro (dia dos
Reis Magos), enquanto em Colônia e na Renânia, também na Alemanha, o carnaval
começa às 11h11min do dia 11 de novembro (undécimo mês do ano). Na França, a
celebração se restringe à terça-feira gorda e à mi-carême, quinta-feira da
terceira semana da Quaresma. Nos Estados Unidos, festeja-se o carnaval
principalmente de 6 de janeiro à terça-feira gorda (mardi-gras em francês,
idioma dos primeiros colonizadores de Nova Orleans, na Louisiana), enquanto na
Espanha a quarta-feira de cinzas se inclui no período momesco, como lembrança
de uma fase em que esse dia não fazia parte da Quaresma. No Brasil, até a
década de 1940, sobretudo no Rio de Janeiro, as festas pré-carnavalescas se
iniciavam em outubro, na comemoração de N. Sra. da Penha, crescia durante a
passagem de ano e atingia o auge nos quatro dias anteriores às Cinzas — sábado,
domingo, segunda e terça-feira gorda. Hoje em dia, tanto em Recife
(Pernambuco), quanto em Salvador (Bahia), o carnaval inclui a quarta-feira de
cinzas e dias subsequentes chegando, por vezes, a incluir o sábado de Aleluia.
Carnaval no Brasil. Nem um
décimo do povo participa hoje ativamente do carnaval— ao contrário do que
ocorria em sua época de ouro, do fim do século XIX até a década de 1950.
Entretanto, o carnaval brasileiro ainda é considerado um dos melhores do mundo,
seja pelos turistas estrangeiros como por boa parte dos brasileiros,
principalmente o público jovem que não alcançou a glória do carnaval
verdadeiramente popular. Como declarou Luís da Câmara Cascudo, etnólogo,
musicólogo e folclorista, "o carnaval de hoje é de desfile, carnaval
assistido, paga-se para ver. O carnaval, digamos, de 1922 era compartilhado,
dançado, pulado, gritado, catucado. Agora não é mais assim, é para ser
visto".
Entrudo. O entrudo, importado dos Açores, foi o precursor das festas de
carnaval, trazido pelo colonizador português. Grosseiro, violento, imundo,
constituiu a forma mais generalizada de brincar no período colonial e
monárquico, mas também a mais popular. Consistia em lançar, sobre os outros
foliões, baldes de água, esguichos de bisnagas e limões-de-cheiro (feitos ambos
de cera), pó de cal (uma brutalidade, que poderia cegar as pessoas atingidas),
vinagre, groselha ou vinho e até outros líquidos que estragavam roupas e
sujavam ou tornavam mal-cheirosas as vítimas. Esta estupidez, porém, era
tolerada pelo imperador Pedro II e foi praticada com entusiasmo, na Quinta da
Boa Vista e em seus jardins, pela chamada nobreza... E foi livre até o
aparecimento do lança-perfume, já no século XX, assim como do confete e da
serpentina, trazidos da Europa.
O Zé-Pereira. Em todo o Brasil, mas sobretudo no Rio de Janeiro, havia o
costume de se prestar homenagem galhofeira a notórios tipos populares de cada
cidade ou vila do país durante os festejos de Momo. O mais famoso tipo carioca
foi um sapateiro português, chamado José Nogueira de Azevedo Paredes. Segundo o
historiador Vieira Fazenda, foi ele o introdutor, em 1846, do hábito de animar
a folia ao som de zabumbas e tambores, em passeatas pelas ruas, como se fazia
em sua terra. O zé-pereira cresceu de fama no fim do século XIX, quando o ator
Vasques elogiou a barulhada encenando a comédia carnavalesca O Zé-Pereira, na
qual propagava os versos que o zabumba cantava anualmente: E viva o
Zé-Pereira/Pois que a ninguém faz mal./Viva a pagodeira/dos dias de Carnaval! A
peça não passava de uma paródia de Les Pompiers de Nanterre, encenada em 1896.
No início do século XX, por volta da segunda década, a percussão do zé-pereira
cedeu a vez a outros instrumentos como o pandeiro, o tamborim, o reco-reco, a
cuíca, o triângulo e as "frigideiras".
As fantasias. O uso de fantasias e máscaras teve, em todo o Brasil, mais de
setenta anos de sucesso — de 1870 até início do decênio de 1950. Começou a
declinar depois de 1930, quando encareceram os materiais para confeccionar as
fantasias — fazendas e ornamentos –, sapatilhas, botinas, quepes, boinas, bonés
etc. As roupas de disfarce, ou as fantasias que embelezaram rapazes e moças,
foram aos poucos sendo reduzidas ao mais sumário possível, em nome da liberdade
de movimentos e da fuga à insolação do período mais quente do ano.
E foram desaparecendo os disfarces mais famosos do tempo do
império e início da república, como a caveira, o velho, o burro (com orelhões e
tudo), o doutor, o morcego, diabinho e diabão, o pai João, a morte, o príncipe,
o mandarim, o rajá, o marajá. E também fantasias clássicas da commedia
dell’arte italiana, como dominó, pierrô, arlequim e colombina — de largo
emprego entre foliões e que já não tinham razão de ser, depois que a polícia
proibiu o uso de máscaras nos salões e nas ruas... Aliás, desde 1685 as
máscaras ora eram proibidas, ora liberadas. E a proibição era séria, bastando
dizer que as penas, já no século XVII, eram rigorosíssimas: um proclama do
governador Duarte Teixeira Chaves mandava que negros e mulatos mascarados
fossem chicoteados em praça pública, e brancos mascarados fossem degredados
para a Colônia do Sacramento...
Mas,
na década de 1930, muitas daquelas fantasias ainda eram utilizadas, inclusive
com máscaras. Entre elas estavam as de apache, gigolô, gigolete, malandro
(camiseta de listras horizontais, calça branca, chapéu de palhinha, lenço
vermelho no pescoço), dama antiga, espanhola, camponesa, palhaço, tirolesa,
havaiana, baiana.
Aos poucos, os homens foram preferindo a calça branca e a camisa-esporte, até
chegar à bermuda e ao busto nu, mas isso só depois da década de 1950; as
mulheres passaram às fantasias mais leves, atingindo, depois, o maiô de duas
peças e alguns colares de enfeite, logo o biquíni, o busto descoberto etc.
Bailes de carnaval. O carnaval europeu começou, na rua, com desfiles de
disfarces e carros alegóricos; e, em ambiente fechado, com bailes, fantasias e
máscaras. O carnaval carioca, certamente o primeiro do Brasil, surgiu em 1641,
promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao
rei Dom João IV, restaurador do trono de Portugal. A festa durou uma semana, do
domingo de Páscoa em diante, com desfile de rua, combates, corridas, blocos de
sujos e mascarados. Outro carnaval importante foi o de 1786, que coincidiu com
as festas para comemorar o casamento de Dom João com a princesa Carlota
Joaquina. Mas o primeiríssimo baile de máscaras aconteceu em 22 de janeiro de
1840, no hotel Itália, no largo do Rocio, no mesmo local em que se ergueria
depois o teatro e depois cinema São José, na praça Tiradentes, no Rio. A
entrada custava dois mil réis, com direito à ceia.
No entanto, a voga dos bailes carnavalescos em casas de espetáculos só se
generalizou na década de 1870. Aderiram à moda o teatro Pedro II, o teatro
Santana, e aí até os estabelecimentos populares entraram na dança, no Skating
Rink, o Clube Guanabara, o Clube do Rio Comprido, a Societé Française de
Gymnastique, em teatros que se alinhavam ao lado dos bailes públicos, mas em
área social selecionada.
O carnaval se alastra: surgem "arrastados" em casas de família,
bailes ao ar livre, bailes infantis e os pré-carnavalescos, bailes em circos,
matinês dançantes. Afinal, certos bailes ganharam fama nacional e até
internacional, realizados em grandes clubes, hotéis ou teatros: em 1908 houve o
primeiro dos bailes do High-Life, que chegaram ao fim nos anos 40; em 1918
iniciou-se a tradição do baile dos Artistas, no teatro Fênix; em 1932, o
primeiro grande baile oficializado, o do teatro Municipal, abriu caminho para
muitos outros; e logo vieram os do Glória, Palácio Teatro, Copacabana Palace,
Palace Hotel, Cassino da Urca, Cassino Atlântico, Cassino Copacabana,
Quitandinha (em Petrópolis), Automóvel Clube do Brasil.
Em 1935, o Cordão dos Laranjas construiu um salão, em forma de
navio, que "atracou" na Esplanada do Castelo, e ali se realizariam
alguns dos mais alegres bailes de três ou quatro carnavais. E enquanto o
Municipal iniciava concursos de fantasias de luxo (a princípio só femininas, e,
depois dos anos 50, masculinas), os bailes que atraíam multidões eram os do
Botafogo, Fluminense, Flamengo, Vasco da Gama, América. Bem familiares em suas
primeiras versões, reunindo a sociedade abastada em trajes de gala, foram-se
tornando cada vez menos bailes de fantasia. Já não se conseguia dançar, apenas
pular, e à casaca e ao smoking juntavam-se o traje-esporte e o mulherio
semidespido. E existiam os bailes gremiais como o das Atrizes, o Vermelho e
Negro, o dos Pierrôs etc.
Banho de mar à fantasia. Nos bailes, as danças
variavam, de polca, lundu e tanguinho a sambas, marchinhas, frevos, jongos e
cateretês, com todos os participantes cantando, pulando e "fazendo
cordão". Já nos banhos de mar à fantasia, porém, os foliões cantavam a
plenos pulmões as músicas de sua preferência e também aquelas que eram
divulgadas por discos e nos coretos municipais animados por bandas de música.
Os banhos de mar à fantasia criaram hábito no
intervalo entre a primeira e a segunda Guerra Mundial. Os blocos e foliões
trajavam fantasias de papel crepom e, após desfilarem nas praias, caíam na
água, tingindo-a por horas, pois as fantasias de papel desbotavam fortemente.
Havia, é claro, outro traje de banho, normal, sob aqueles carnavalescos e
efêmeros.
Batalha de confete e corsos. O confete, a
serpentina e o lança-perfume — os três elementos que, entre o início do século
e a década de 1950 animaram o carnaval brasileiro de salão — também cooperaram
para o maior êxito dos corsos que deram vida ao carnaval de rua. E neste, as
batalhas de confete constituíam o momento culminante. A moda do corso, iniciada
timidamente logo após a chegada dos primeiros automóveis, atingiria seus
momentos de glória entre 1928 e a década de 1940. Consistia o corso numa
passeata carnavalesca de carros de passeio conversíveis, de capota arriada,
enfeitados de panos coloridos e bandeirolas, conduzindo famílias ou grupos de
foliões que se sentavam não só nos assentos mas também sobre a capota arriada,
sobretudo as moças fantasiadas de saias bem curtas, cantando ou jogando
serpentinas e confetes nos pedestres, que se amontoavam nas beiras das calçadas
para vê-las passar.
Essa gente motorizada brincava também com os
ocupantes dos carros vizinhos e, por vezes, com os veículos rodando lentamente,
emendavam o cortejo atirando montes de confete e milhares de metros de
serpentina que enlaçavam os carros e se acumulavam no asfalto das avenidas a
cada noite. O lança-perfume também era usado em profusão, enquanto a confraternização
com os pedestres se ampliava não só através dos jatos de lança-perfume — o que
abria caminho para conhecimentos mais íntimos, namoricos etc. — como também de
caronas momentâneas na disputa de músicas entoadas por uns e por outros. Cada
cidade possuía seu local de corso, e o do Rio de Janeiro ocorria,
principalmente, na avenida Rio Branco (antiga avenida Central), mas a certa
altura, em vários carnavais o corso se prolongava à avenida Beira-Mar,
atingindo o Flamengo e Botafogo até o Pavilhão Mourisco, no final da praia.
Quase conseqüência do corso — que desapareceu com
o advento das limusines e carros fechados — as batalhas de confete ocorriam em
locais determinados que possuíssem torcidas bairristas organizadas ou blocos
fortes para desenvolver a disputa — uma competição de canto, dança na rua e
corso (nem sempre). Nas semanas ou meses que antecediam o tríduo de Momo, essas
torcidas ou blocos organizavam as festas em que se gastavam quilos de confete e
serpentina, litros de lança-perfume, e em que se dava a disputa entre as
preferidas de cada agremiação. Tais batalhas se prolongavam, às vezes, até o
amanhecer, algumas superando a empolgação dos dias de carnaval
"legítimo". Pois ali se exibiam os blocos, os ranchos e os foliões
avulsos.
Blocos, ranchos, grandes sociedades. No carnaval
de rua era comum o "trote" e os blocos de sujos. O encontro de blocos
resultava, às vezes, em batalhas campais de sopapos. Nos desfiles, entre os
anos 1919 e 1939, destacavam-se os tradicionais ranchos, que desfilavam às
segundas-feiras. Havia ainda as grandes sociedades, com seus carros alegóricos,
repletos de mulheres bonitas, alegorias mitológicas, históricas e cívicas;
carros de crítica política encerravam, no fim da noite de terça-feira gorda, os
festejos. Tais agremiações se chamavam Tenentes do Diabo, Pierrôs da Caverna,
Clube dos Democráticos, Fenianos, Congresso dos Fenianos, Clube dos
Embaixadores etc.
A grande concentração popular se fazia na avenida
Rio Branco, da Cinelândia até a rua do Ouvidor. A classe média alta preferia as
imediações do Jóquei Clube, entre a avenida Almirante Barroso e a rua Araújo
Porto Alegre. Alguns levavam seus próprios assentos, cadeiras e banquinhos,
mais tarde substituídos por palanques e arquibancadas montados pela prefeitura.
A segunda-feira era célebre não só pelo desfile de ranchos — que usavam fogos
de artifícios coloridos –, mas também porque os freqüentadores do baile do
Municipal eram observados pelo populacho, que ia admirar-lhes as fantasias. A
Galeria Cruzeiro, hoje edifício Av. Central, era o ponto focal do trecho entre
a rua São José e a avenida Almirante Barroso, a área de maior animação dos
carnavalescos tradicionais, que cantavam e dançavam ao som das músicas lançadas
nos palcos dos teatros de revista e nas emissoras de rádio.
Escolas de samba. As "escolas de samba"
nasceram de redutos de diversão das camadas pobres da população do Rio de
Janeiro, em sua quase totalidade negros. Reuniam-se para cultivar a música e a
dança do samba e outros costumes herdados da cultura africana, e quase sempre
enfrentavam ostensiva repressão policial. Para a formação desses redutos
contribuiu decisivamente a migração de populações rurais nordestinas, que,
atraídas para a capital em fins do século XIX, introduziram um mínimo de organização
e de sentido grupal ao carnaval carioca, até então herdeiro do entrudo
português.
No entanto, a denominação "escola" só vai surgir em
1928, com a criação da Deixa Falar, no bairro do Estácio. Ismael Silva
(1905-1978), seu fundador, explicava o termo como decorrência da proximidade da
Escola Normal, no mesmo bairro, o que fazia os sambistas locais serem tratados
de "professor" ou "mestre". Posteriormente surgem diversas
outras escolas, entre as quais Portela, Mangueira e Unidos da Tijuca. No
começo, pouco se distinguiam dos blocos e cordões, com ausência de sentido
coreográfico e sem qualquer caráter competitivo. Com o tempo, transformam-se em
associações recreativas, abertas, cuja finalidade maior é competir nos desfiles
carnavalescos, transformados em atração máxima do turismo carioca. De tal forma
agigantam-se, que seus encargos — a partir da década de 1960 — equivalem aos de
uma empresa, o que as obriga a funcionar por todo o ano, promovendo rodas de
samba e "ensaios" com entrada paga, maneira de amenizarem os gastos
decorrentes da preparação dos desfiles.
Com a oficialização dos desfiles, a partir de
1935, as escolas passam a receber subsídios da prefeitura, transformando-se, a
partir de 1952, em sociedades civis, com regulamento e sede, elegendo periodicamente
suas diretorias, inclusive um diretor de bateria, que comanda os instrumentos
de percussão, e um diretor de harmonia, responsável pelo entrosamento de canto
e orquestra. A escola desfila precedida de um abre-alas (faixa que pede
passagem e anuncia o enredo) e da comissão de frente (dez a quinze sambistas,
representando simbolicamente a diretoria da escola). A seguir, pastoras
(antigas dançarinas dos ranchos), fazendo evoluções; mestre-sala e
porta-bandeira; destaques; academia (coro masculino e bateria). O restante
divide-se em alas, geralmente com coreografias especiais, e carros alegóricos.
Apresentam sempre um tema nacional — lenda ou fato histórico — expresso no
samba-enredo, base de todo o desfile.
Até 1932, quando foi organizado o primeiro
desfile, as escolas limitavam-se a percorrer livremente as ruas, acompanhadas
por populares. Naquele ano, o jornal Mundo Esportivo organizou um desfile na
praça Onze, de que participaram dezenove escolas, saindo vitoriosa a Estação
Primeira de Mangueira. No ano seguinte o número de concorrentes subiu para 29 e
o desfile foi promovido pelo jornal O Globo, saindo vitoriosa novamente a
Mangueira. Em 1934, ano em que foi fundada a União Geral das Escolas de Samba,
a competição foi realizada no dia 20 de janeiro, em homenagem ao prefeito Pedro
Ernesto, e a Mangueira alcançou o tricampeonato.
O
interesse em fomentar a competição com atração turística começou em 1935,
quando o certame foi apoiado pelo Conselho de Turismo da Prefeitura do então
Distrito Federal, obtendo a Portela sua primeira vitória, ainda com o nome de
Vai Como Pode. A partir daí, já estabelecido como promoção oficial do carnaval
carioca, o desfile foi realizado sem interrupção, exceto nos anos de 1938 e
1952, quando as chuvas impediram a promoção.
O modelo se estendeu a todas as capitais brasileiras, excetuando-se duas:
Salvador da Bahia e o conjunto Recife-Olinda, em Pernambuco.
Carnaval de Pernambuco e Bahia. O
carnaval pernambucano, especialmente em Olinda e Recife, é um dos mais animados
do país, e essa característica cresceu paralelamente à extinção do carnaval de
rua na maior parte das cidades brasileiras, por causa do desfile das escolas de
samba. As principais atrações do carnaval pernambucano — cujos bailes também
são os mais animados — são, na rua, o frevo, o maracatu, as agremiações de
caboclinhos, a imensa participação popular nos blocos (reminiscências
modernizadas dos antigos "cordões") e os clubes de frevo. Em Recife e
Olinda os foliões cantam e dançam, mesmo sem uniformes ou fantasias, ao som das
orquestras e bandas que fazem a festa. Os conjuntos de frevo mais animados são
os Vassourinhas, Toureiros, Lenhadores e outros.
Lembrando, pela cadência, os velhos ranchos, os maracatus estão ligados às
tradições afro-brasileiras. Já os caboclinhos constituem outro tipo de
agremiação folclórica, cujos desfiles são apenas vistos e aplaudidos.
A outra cidade em que a participação popular é costumeira, e onde todos cantam,
dançam e brincam é Salvador. Uma invenção surgida na década de 1970 e que, à
diferença do frevo, conseguiu contagiar outros estados e cidades, foi o trio
elétrico — um caminhão monumental no qual se instalam aparelhos de som,
equipados com poderosos alto-falantes que reproduzem continuamente as
composições carnavalescas gravadas. Há ainda, como em Recife e Olinda, muitos
populares que improvisam fantasias simples mas também adotam a postura
galhofeira e vestem os disfarces de cinqüenta ou cem anos atrás. Tudo isto
traduz bem o espírito momesco irreverente que impele a multidão à descontração
total.
Músicas de carnaval. Durante o império, as músicas cantadas no período
carnavalesco, no Brasil, eram árias de operetas, depois lundus, tanguinhos,
polcas e até valsas. No início do século XX, predominaram, nas ruas, as cantigas
de cordões e ranchos e, nos bailes, chorinhos lentos, polcas-chulas, marchas,
fados, polcas-tangos, toadas e canções. Logo após a primeira guerra mundial, os
palcos dos teatros-de-revista tornaram-se os lançadores das músicas de carnaval
e iniciou-se, então, o domínio das marchinhas, maxixes, marchas-chulas,
cateretês e batucadas. E também do samba, que, na era do rádio, entre 1930 e
1960, dividiu os louros com a marchinha, embora às vezes cedesse ao sucesso de
um jongo, de uma valsa ou de uma batucada. O samba, nos salões e na rua, era
absoluto. Mas desde fins do decênio de 1960, com a consolidação do desfile das
escolas de samba, o samba e a marcha mergulharam no ostracismo, trocados pelo
samba-enredo das escolas de samba.
O
Carnaval
O
Carnaval brasileiro é originário do entrudo português, um conjunto de
brincadeiras de rua em que as pessoas atiram água, farinha, ovos podres umas
nas outras. Essa festa acontecia na época anterior à Quaresma.
Trazido
para o Brasil no século XVII, o entrudo sofreu influências dos carnavais de
países europeus, como Itália e França, a partir do século XIX. Foi quando as
máscaras, as fantasias e os personagens, como o pierrô, a colombina e o Rei
Momo, entraram para a festa brasileira. Nesta época surgem, também, os
primeiros blocos, cordões- desfiles de carros alegóricos. A partir daí, a festa
vai ganhando força e chega praticamente todas as regiões brasileiras. Ano após
ano, o repertório musical que embala a folia vai aumentando, ganhando novas
cantigas e ritmos, como as famosas marchinhas.
Em
1928, no Rio de janeiro, sai a primeira escola de samba, chamada Deixa
Falar, criada pelo sambista Ismael Silva. Do Rio esse modelo de desfile
se espalha para outras cidades.
A
tradição do Carnaval de rua, onde todos podem participar, não desaparece. Ela
permanece forte no Nordeste, onde se destacam o frevo e o maracatu. Em
Salvador, há trios elétricos e blocos de rua.
FONTE: Professores Solidários
Fotos todas do meu acervo particular